1887–1888
Uma pequena capela no arraial da Floresta
Em 14 de novembro de 1887, Eduardo de Azevedo Souza Filho e sua esposa, Luciana de Azevedo, doaram um terreno na então rua da Floresta, em frente à rua Conde de Porto Alegre, para a construção de uma capela dedicada a São Pedro. A licença eclesiástica para a obra foi concedida em 21 de novembro daquele ano.
A comunidade se organizou na Devoção de São Pedro, cujo compromisso foi aprovado pelo bispo em 21 de abril de 1888. Ainda naquele ano, em 22 de outubro, a pequena igreja recebeu a bênção e acolheu sua primeira missa. A capela se tornaria um ponto de referência para o bairro em formação.

1894–1912
A fé que reúne e faz crescer o bairro
Os jornais de 1894 já registravam a festa de São Pedro, com celebrações religiosas e diversões populares diante da capela. No ano seguinte, a programação anunciava novenas, missa solene, procissão pelas ruas do bairro, música e leilões de ofertas. A festa do padroeiro ajudava a aproximar os moradores e a sustentar a comunidade.
Em 20 de abril de 1912, foi criado o Curato de São Manoel, ao qual a capela de São Pedro passou a pertencer. O padre Antônio Pereira dos Santos, primeiro vigário do curato, registrou naquele ano a celebração de missas dominicais na São Pedro, com pregação, confissões e comunhões.
1917
Uma nova sede para a comunidade
Por portaria de 27 de janeiro de 1917, Dom João Becker transferiu a sede do Curato de São Manoel para a capela de São Pedro. O padre Emílio Lottermann tomou posse como cura em 28 de janeiro. Começava uma longa caminhada de colaboração entre o sacerdote e os fiéis.
Uma comissão de obras, presidida por Henrique Pünder, providenciou a ampliação provisória da capela. O Apostolado da Oração de Senhoras já aparece nos registros de junho, e a Conferência de São Vicente de Paulo foi instalada em setembro. Em agosto, diante da crescente participação dos fiéis, a comissão escolheu o projeto neogótico de José Hruby para um templo maior, com duas torres.
1918–1920
Da capelinha à nova igreja matriz
O projeto recebeu aprovação definitiva em 10 de janeiro de 1918, e as escavações dos alicerces começaram em 28 de janeiro. A capela original foi demolida para dar lugar ao novo templo. Em outubro daquele ano, a nova capela-mor já era utilizada para as celebrações, separada da futura nave por uma parede de madeira.
Em 28 de junho de 1919, Dom João Becker elevou o Curato de São Pedro à categoria de paróquia. Na Páscoa seguinte, em 4 de abril de 1920, a vasta matriz foi inaugurada provisoriamente: faltavam ainda teto, reboco, portas, janelas e torres, mas a comunidade já dispunha de espaço para acolher os fiéis.

1922–1938
Uma comunidade que constrói e educa
Após uma interrupção por falta de recursos, as obras foram retomadas em março de 1922. A Casa João Vicente Friedrichs executou trabalhos no teto, no reboco interno e nas janelas. Em 1923, foram feitos o assoalho e os mosaicos dos corredores, e Fernando Schlatter decorou a capela-mor.
A educação também ganhou espaço: em 1º de março de 1927, os Irmãos Maristas iniciaram as aulas da Escola São Pedro em dependências da paróquia. Na vida musical, o coro organizado pelo padre Leopoldo Hoff em 1919 deu origem ao coral de vozes mistas fundado por João Scharnberg em 7 de agosto de 1931.
A campanha dos Legionários, lançada em 1929, permitiu avançar no reboco, na pintura externa e na elevação das torres. Os trabalhos tiveram a direção de Franz Rhoden e a participação da firma de Vitorino Zani nos ornamentos góticos. O portal foi concluído em 1938. A construção seguiu sendo aperfeiçoada nas décadas seguintes.

Década de 1940
Arte sacra, música e devoção
Na década de 1940, a ornamentação interna ganhou novos capítulos. O Livro de Tombo registra em 1946 o projeto de Paulo Curci e a campanha dos Legionários da Pintura, que reuniu contribuições da comunidade para decorar a igreja. As pinturas dos irmãos Curci integraram à arquitetura cenas da vida cristã, entre elas o martírio de São Pedro e a conversão de São Paulo.
No Natal de 1946, foi inaugurado o órgão adquirido da firma Bohn Irmãos. Também foram melhoradas as janelas das torres, a sacristia, a casa canônica e o calçamento diante do templo. Em 1948, a preparação para o Congresso Eucarístico Nacional motivou novas obras na capela-mor e no salão paroquial.

1953–1957
Os sinos e as torres da São Pedro
Quatro sinos encomendados à fábrica Bochumer Verein, na Alemanha, chegaram à paróquia em novembro de 1953 e foram abençoados no dia 22 daquele mês. Dedicados a São Pedro, São Paulo, Nossa Senhora e São José, vieram acompanhados de motores para seu acionamento.
Em 1955, as torres foram adaptadas para receber o maquinário, e novos vitrais enriqueceram a igreja. Em 1956, o piso foi substituído e prosseguiram as obras no alto das torres, com a colocação das cruzes e da cobertura de cobre. Essa etapa foi concluída em janeiro de 1957, distinguindo-se da elevação das torres realizada décadas antes.
1964–1968
Uma nova etapa na caminhada paroquial
Em 4 de janeiro de 1964, após 47 anos à frente da comunidade, Monsenhor Emílio Lottermann deixou o cargo de pároco e permaneceu como cooperador. O padre Emílio Weizemann assumiu a paróquia e nela permaneceu até o final de 1966. Naquele ano, Lottermann publicou suas Reminiscências da Paróquia de São Pedro.
Monsenhor Atílio Fontana assumiu em 1º de janeiro de 1967. Nesse período, a comunidade acolheu mudanças litúrgicas decorrentes do Concílio Vaticano II. As obras do salão paroquial, iniciadas em 1966, foram concluídas em junho de 1968.


1974–1978
Jovens e famílias renovam a comunidade
A nova casa paroquial foi inaugurada em 2 de maio de 1974. Naquele mesmo ano, o padre Zeno Hastenteufel, a irmã Jocélia Scherer e jovens ligados ao Emaús organizaram o retiro de crismandos que deu origem ao Curso de Liderança Juvenil, o CLJ.
Em 1975, onze casais da São Pedro iniciaram o Movimento de Casais Jovens, o MCJ, com um retiro na Vila Betânia. Em 1978, por iniciativa de Monsenhor Atílio Fontana, surgiu o ONDA, para acompanhar crianças após a Primeira Comunhão. Essas iniciativas ampliaram os caminhos de formação e participação na vida paroquial.
1983–2010
Cuidar do patrimônio recebido
O órgão voltou a ser inaugurado após uma reforma em 1983. Em 1º de dezembro de 1984, o padre José Inácio Steffen assumiu como pároco, sucedendo a Monsenhor Fontana. No ano seguinte, os restos mortais de Monsenhor Lottermann foram trasladados para a igreja.
As campanhas comunitárias continuaram a sustentar a conservação do templo: houve obras no telhado e nas pinturas em 1985 e 1986, seguidas da restauração de imagens no final da década. Uma nova campanha de restauro interno, acompanhada pelo irmão Renato Koch, culminou na reinauguração de 9 de junho de 1996.
Entre 2006 e 2007, foram realizados reparos na estrutura e nas pinturas externas, além de serviços internos. Uma campanha iniciada em 2008 apoiou a restauração dos vitrais, recuperados em 2009. Em 2010, novas obras recuperaram rachaduras no forro da igreja, novamente com donativos da comunidade.

2019
Cem anos de vida paroquial
Em 2019, a comunidade celebrou o centenário da criação da paróquia com novena e procissão pelo bairro Floresta. Um grande banner instalado em uma das torres marcou a data: 1919–2019.
Para celebrar a ocasião, a comunidade participou de um concurso para escolher um hino comemorativo. A composição vencedora foi criada por Clodoaldo Ramos Junior, compositor e músico conhecido na Arquidiocese de Porto Alegre.

2023
Uma história que continua
Em 2023, o pedido de tombamento da igreja reuniu uma pesquisa histórica e iconográfica baseada nos Livros de Tombo, em jornais, fotografias e documentos do acervo paroquial. Esse trabalho ajuda a compreender as diferentes etapas da construção e a participação dos moradores na formação da comunidade.
Em 21 de dezembro de 2023, o padre Lívio Masuero assumiu como pároco, sucedendo ao padre Luciano da Costa Massullo. A história continua nas celebrações, na formação cristã e no serviço das pastorais e movimentos, com o cuidado com a igreja e com as pessoas que fazem parte dela.
Fontes históricas: pesquisa histórica e iconográfica do pedido de tombamento da Igreja São Pedro (2023), com base nos Livros de Tombo e no acervo paroquial; dissertação de Anna Paula Boneberg Nascimento dos Santos (Unisinos, 2014); Wikipédia; AVESOL, sobre o centenário; e Arquidiocese de Porto Alegre, sobre a posse de 2023. O relato do concurso do hino foi compartilhado pela comunidade.
Imagens históricas reproduzidas do documento de 2023: igreja por volta de 1922 (p. 76), igreja em 1930 (p. 82), fachada sem data, anterior às reformas de 1946 (p. 87), igreja em 1966 (p. 92) e Monsenhores Lottermann e Fontana (p. 93). A numeração corresponde às páginas impressas da pesquisa. A fotografia da capela primitiva também está disponível no Wikimedia Commons.
Retrato de Dom Zeno: Pvaf / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0, com recorte para exibição.